Experiência ímpar
A experiência na escola foi bem interessante para a criação e a confirmação de idéias quanto à realidade de muitas escolas públicas.
Eu e minha dupla (Lídia) ficamos em salas de 8ª série - durante aulas de Português - e 7ª série - durante aulas de Inglês.
Percebi, facilmente, que a professora não é considerada uma autoridade nas salas de aula; isto porque, na maioria das vezes, muitos alunos permaneciam em pé ou andando pela sala (antes e durante a aula), conversavam alto e não faziam a(s) atividade(s) proposta(s), sequer "se davam ao trabalho" de parar para ouvir o que a professora tinha a dizer. Além disso, proferiam "palavrões" até mesmo contra a professora, demonstrando um nível mínimo (ou até inexistente) de respeito pela mesma. Repito que não eram todos os alunos que se portavam dessa maneira. Mas, também, não eram poucos.
Toda essa indisciplina influi, sem dúvida, na maneira como a professora elabora e professa a aula. Por exemplo, ela mesma nos disse que, muitas vezes, tem vontade de realizar atividades diferentes com as turmas de 8ª série. Porém, não há como colocar essa vontade em prática, pois, segundo a própria professora, os alunos não conseguiriam portar-se de maneira adequada (e ela refere-se à indisciplina) para a concretização desta atividade diferente. E, ainda há outro grave problema: alguns alunos da 8ª série encontram-se em atraso na aprendizagem, pois mal sabem ler e/ou escrever.
Já com os alunos de 7ª série, o problema é que a professora deve sempre levar material de improviso e utilizá-lo muitas vezes, afinal, muitos alunos não levam o material solicitado (como recortes de jornais e revistas e até mesmo um caderno que a própria escola forneceu para um projeto realizado na turma) pela professora, fato que - sem dúvida - afeta o conteúdo já planejado para ser ensinado.
Por fim, sei que o ensino se dá de maneira bem mais fácil quando há sentido nele para os alunos. E pude ver o esforço da professora para tentar trazer algum propósito aos alunos naquilo que está sendo ensinado. Mas, é claro, pouco se depende disso, pois, há muito, esta questão já não vem a ser responsabilidade apenas do professor que, como já dito, muitas vezes esforça-se, mas não é ainda o suficiente para mudar a situação (e nem é obrigação do professor conseguir transformar esse quadro, pois depende-se, também e muito, de outros especialistas para, em conjunto, tentarem elaborar alguma solução).
Vale acrescentar ainda que penso que a freqüência dos alunos daquelas turmas na escola é algo mecânico, pois, como já dito, estes adolescentes (grande parte deles) demonstram que vêem pouco sentido (ou sequer nenhum) no conteúdo lecionado, até mesmo porque este conteúdo, ao meu ver, não faz jus à seus cotidianos e nem àquilo que pretendem ou têm esperança de se tornar futuramente.
Resta-nos, portanto, uma questão (difícil de se responder) para reflexão: como trazer sentido num ensino que não faz sentido à muitos alunos de escolas públicas?
POR: PAULA CRISTINA HENRIQUES COSTA

3 Comments:
Olá!Bem,concordo com tudo o que a Paula disse.Creio que a oportunidade que tivemos de estar na escola”x”, observando e participnado um pouco mais de sua realidade foi bastante rica.O que mais me chamou a atenção nesta prática foi o fato da professora que acompanhamos não conseguir dar sequência em seu planejamento.Segundo ela,cada sala responde de uma maneira diferente ao conteúdo dado,ou seja,a forma de trabalhar o conteúdo varia de turma para turma e varia também de escola para escola.Algumas turmas estão bem atrasadas em relação a outras.De acordo com a professora e com nossas observações,constatamos que grande parte dos alunos de uma determinada turma de 8a serie ainda possuem imensa dificuldade com a leitura, interpretação,assim como pronomes,substantivos,adjetivos, adverbios, etc.Também ficou claro para nós a divisão de turmas: turmas melhores e turmas piores(não sei se é coicidencia mas a turma A era a que possuia os melhores alunos,mais interessados,que tiravam as melhores notas, sendo que a B já nao era assim,nem a C, não sei com relação as outras turmas. )Assim como a Paula disse, o aprendizado dos alunos que acompanhamos parecia ser algo mecânico, sem sentido, contrastando com o que a juliana e a nayana observaram:”Os alunos tinham muito interesse nas aulas, como se o que eles estivessem fazendo fizesse realmente sentido para eles.”A partir daí podemos perceber que numa mesma escola(o que a Carmem já havia dito,e um dos motivos pelo qual ela quis que fizessemos a prática TODAS numa mesma escola)há diferenças, tanto na forma de trabalho do professor como na visão dos alunos com relação ao aprendizado.
Realmente,e isso é salutar, as realidades no espaço escolar são múltiplas, pois os seres são diferentes em vários níveis...
Paula, acredito que não resta apenas uma questão, mas várias:
Será que os alunos são alienigenas que estão na sala de aula?(Green, Bigum)
Os corpos dos alunos são vistos, olhados, percebidos no processo de ensino- aprendizagem?
Os alunos são ouvidos?
Os tempos e espaços escolares são aliados do trabalho docente?
Os professores são reféns dos sistemos educativos, ou são potenciais agentes de tranformação?
abraço!
oi meninas, interessante perceber nos seus comentarios, as dificuldades que muitas de nós deparamos em nossa prática, porém acho delicado limitarmos as explicações dessas questoes ou analisarmos em uma logica unica.
Miguel Arroyo em seu livro Imagens Quebradas, fala sobre o comportamento "indisciplinado" dos alunos, justamente problematizando a idéia do que julgamos ser indisciplina e como os corpos dos alunos são silenciados pelos tempos escolares, pelas fragmentações e a separação que isnsistimos em tentar fazer entre corpo e mente...
é importante repensar!!!!
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