Saturday, April 29, 2006

28/04/2006 4° "visita" a escola.



" Se eu tivesse que recomeçar eu começaria tudo de novo"
( fala de uma professora. Dia:28/04/2006, caderno de campo.)


Dando continuidade aos relatos dos/as profissionais que atuam na escola, no dia 28/04 ouvimos o depoimento de três professoras. Foram depoimentos carregados de emoção, alegria e talvez uma ponta de nostalgia.

Essas três professoras rememoraram o início de suas carreiras docente. Dessas lembranças, muito ricas por sinal, aqui tentarei reproduzir a maioria. Não consigo deixar de fazer certos juizos, me perdoe se você não aprecia. São reflexões de quem entende estar num campo de pesquisa.
Gostaria que vocês completassem minhas observações através das suas anotações.

Passemos então às notas.

Na fala das três professoras detectei algo em comum:

  • a questão da autonomia da escola no passado,esse passado corresponde aos anos de 1960 e 1970.
  • a questão da interferência dos pais, segundo os relatos, "antigamente os pais acatavam o que os professores decidiam" e não interferiam no trabalho da escola, diferentemente de hoje.

Segundo uma das professoras a escola só age drasticamente com um aluno após diversas tentativas de conciliação. Uma atitude drástica para ela seria, por exemplo, a suspensão de um aluno, fato que já ocorrera e que fora contestado por uma mãe. Esta recorreu ao concelho tutelar e a escola teve que rever sua posição aceitando o aluno de volta.

Para uma outra professora hoje, ao contrário que acontecia nos aos 70 os pais não tem compromisso com a educação dos filhos. Aí cabe uma questão: o modelo de família dos anos 70 é compatível com o de hoje?

  • Uma reivindicação que também foi concenso durante os relatos: o retorno das reuniões pedagógicas. Para os/as professoras da escola o momento das reuniões pedagógicas é um momento muito importante para se planejar em conjunto e isso, segundo elas, não ocorre mais.

A dimensão política também foi avaliada pelas professoras que disseram que a gestão do Prof. de filosofia foi muito produtivapra escola. Esta gestão se deu de 1999 a 2002.

Uma das professoras emocionou-se muito durante seu relato e chegou mesmo às lágrimas quando se lembrou de alguns momentos pelos quais ela passou para lecionar em Belo Horizonte.

Um fato curioso era o tranporte utilizado na época para se chegar a B.H. vindo do interior. No casode uma das professoras era o trem. Segundo ela o trem se tranformava em local de trabalho ao mesmo tempo em que se contituia também como espaço de lazer, de alegria e de festas.

  • A relação professor- aluno juntamente com a relação familia- escola tambem sofreu grandes transformações. Para as professoras, atualmente está muito mais dificil "controlar" o aluno que nos anos supra citados. Havia mesmo um modelo de aluno que não resistiu ao tempo. "Bom ouvinte, obediente, aquele que sabe falar na hora certa".

Uma terceira professora discorreu um pouco sobre a transição entre o modelo seriado e a escola plural, que é adepta do sistema de ciclos de formação por idade. Ela relatou que essa transição foi tensa, pois havia um despreparo geral. Tanto professores quanto alunos não entendiam muito bem o que estava acontecendo. Para ela o processo deveria ter se dado de maneira gradativa.

Uma útima questão é acesso das classes populares a escola. As tres professoras disseram que a escola modificou muito porque o perfil do aluno mudou também.

  • Várias foram as questões que apareceram nas falas dessas professoras e que poderia e deveria ser investigadas, pena que nosso tempo lá é curto. Entretanto ainda falta um bom tempo para que a nossa graduação se integralize. Sendo assim esta escola se apresenta como um fertil ambinte de pesquisa e/ou extensão.

Há muito mais há trancrever desta última visita, mas fico por aqui. E fica também meu apelo para que vocês postem também.

Um abraço!

kelly

Wednesday, April 26, 2006

Paulo Freire.


Como se não bastasse sua obra teórica relacionada a educação ele também escreveu poesia em forma de versos.
Esta esola é possível? Como?

Escola é...
o lugar onde se fazem amigos
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente
Gente que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente.
O coordenador é gente,
o professor é gente,
o aluno é gente,cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados".
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
Que não tem amizade a ninguém.
Nada de ser como o tijolo que forma a parede
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar,
Não é só trabalhar.
É também criar laços de amizade.
É criar ambiente de camaradagem,
é conviver e se "amarrar nela"!
Ora, é lógico.
Numa escola assim vai ser fácil estudar,
trabalhar, crescer,fazer amigos, educar-se,
ser feliz."


Paulo Freire

Friday, April 07, 2006

Mais um dia de observação!


07/04/2006

Hoje foi a terceira vez que as turmas U eV foram a escola.

Vou tentar transcrever o que lá se passou no dia de hoje. Antes devo dizer que para mim tem sido muito interessante ir a esta escola. Como a Ingrid comentou é curioso uma instituição se deixar criticar. Evidentemente nossas críticas e observações não são gratuitas, pois a final somos estudantes e algumas já são profissionais atuantes.

A rotina da turma V se deu da seguinte maneira:

O professor Silvestre, inicialmente perguntou nossos nomes e seus significados e, anotou nossas expectativas a cerca da escola.
A maioria participou bastante. Acredito que foram muitas expectativas e talvez, com o tempo que dispomos, nem todas possam ser correspondidas, mas valeu, pois isso pode ser útil para a escola no futuro...

Posteriormente uma Professora, que é também coordenadora pedagógica nos relatou uma parte da história de escola.
Esta professora está na escola desde o ano de 1977, ou seja, ela chegou à escola um ano após sua fundação.

Segundo ela o nome da escola(que, por questões éticas não será mensionado)deve-se ao doador do terreno onde esta se localiza.
"um homem muito generoso".

Ela fez uma retrospectiva dos metodos de alfabetização e folou um pouco sobre disciplina; sempre tentando mesclar o passado com o tempo atual.

*Inicialmente o método de alfabetização utilizado era o global.
O planejamento das aulas e outras atividades era passado pelos supervisores e os professores somente o executava. " hoje os professores tem autonomia, ele trabalha de acordo com as nescessidades dos alunos".

Taí bom aspecto a ser observado!!!

*A escola utilizou também os métos fónico e eclético respectivamente.

No que diz respeito a disciplina, se referindo aos anos 70, ela fala: "naquela época nós eramos mais respeitados".
Sobre castigos físicos ela conta que a dirção não aprovava, mas "alguns utilizavam".

A abertura e diálogo com os pais que existe hoje antes não havia.

Uma questão polêmica levantada durante o relato foi a enturmação. Segundo o que a professora nos contou os alunos são agrupados por classificação, ou seja, há uma tentativa de homogeneização. Os alunos estão no mesmo nível de aprendizagem, ela disse. Se há aqueles que precisam de mais atenção; eles não podem estar dispersos em várias salas. Este é o princípal argumento.

Uma questão interessante foi: A homogeneização dos turmas não levaria a desmotivação e conseguentemente a estigmatização dos alunos?

Sobre o Projeto tempo integral, em que (grosso modo), por exemplo, aquele aluno que precisa de ajuda extra-turno ficaria na escola após o término do seu turno, que está para ser implantado na escola, o professor Silvestre fez o seguinte questionamento:

"Tempo integral. Será essa a melhor saída para alfabetizar no tempo atual?"

Aí está a rotina de hoje da turma V e também algumas questões muito pertinentes. Acredito que daqui, do período de observação, pode surgir até algumas monografias... tematica é o que não falta.

Espero que esta descrição possa ser útil!
abraços!
kelly